domingo, 18 de setembro de 2011

Apreciar


«Dou por mim a ter que lidar com novos sentimentos, novos não, novos novamente. Sentimentos que em mim tinham morrido, sentimentos perfeitos foram substituídos na altura por dor, medos e receios. Sentimentos que julgava ter enterrado dentro de mim e que só saíam quando se mexesse na ferida, para me fazerem voltar à dor de antigamente. Re-descobri em mim, uma força que tinha deixado de ser forte, uma ansiedade que deixara de mexer comigo, um nervosismo que já não fazia sentido para mim. um amor, que não conseguia sentir em mim, um amor que antes era tudo que queria na vida, agora me prendia a ele sem direitos para isso, sem a minha autorização, sem algo a que se pudesse ou tivesse autorização de prender, algo que parecia um sonho antigamente, e se tornou um pesadelo nos últimos tempos. Acordei agora, mas para sonhar de verdade, acordei para sentir os sonhos tornarem-se realidade, acordei para a realidade por sonhar com ela. Acordei pela primeira vez, novamente. Acordei porque tinha adormecido, mas acordei com sentimentos que já tinha experimentado uma vez. Aqueles sentimentos que não se conhecem ao início, que não se compreendem durante e que não se faz a mínima ideia do que foram para nós no fim, aqueles sentimentos que não faziam parte do vocabulário dos sentimentos do nosso ser e que agora são constantes e apenas podemos criar um próprio dicionário para eles, aqueles sentimentos que não sabemos de onde vieram, por quanto tempo ficam e que desconhecemos o seu porquê. Aquilo que um dia possuíamos, e tivemos que deixar de ter, aquilo que um dia era a nossa vida, e de nossa vida passou a um mero episódio que faz parte dela, aquilo que nos ensinava a ser alguém e que passou apenas a uma lição num livro esquecido no fundo da nossa gaveta da vida. Enquanto pensváva que o que foi não voltava mais, experimentei novas sensações novamente, e enquanto imaginava ter de apagar tudo, precisei de voltar a escrever a história toda de novo. Voltei a abrir o meu livro, à espera de o desenvolver, e se puder, não ter de o acabar nunca mais, pelo menos nesta vida.
A sensação de ter alguém a cuidar de nós, ou a sensação que podemos contar com alguém todos os dias, a sensação de sermos amados.. quem não a conhece, não a compreende. Essa sensação, dava origem ao meu livro, ao lado de quem me faz experimentar essas sensações, dava-lhe um nome, e fazia dele a personagem principal do meu livro, do meu livro com um início perfeito, uma história desenvolvendo-se perfeitamente e sem fim possível. Agora, mais do que nunca, aprendi que um livro não é um conto com início, meio e fim, um livro é um conjunto de bons e maus capítulos, que só tem fim se nós o permitirmos. Pretendo amar-te, como já amei, pretendo guardar-te como um dia não consegui guardar, e cuidar de ti, como não cuidaram de mim, porque apesar de toda a dor, eu voltei a sentir que era feliz, o que sinceramente, foi a melhor coisa que me podias ter dado e que ninguém até agora tinha conseguido,(..). Muitos podem ter feito com que os amasse, mas nunca ninguém me conseguiu fazer esquecer a dor que um dia tive que receber.
(E enquanto escrevia isto, me apercebia que a inspiração só volta quando mais necessitamos de exprimir os nossos sentimentos.)» Anca Lipciuc

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